
É através do Programa
Minha Casa, Minha Vida, que muitas famílias de baixa renda podem finalmente pensar no sonho da casa própria. Problema resolvido? Não necessariamente. Achar imóveis de acordo com o preço estipulado pode ser comparado a procurar uma agulha no palheiro.
Por três anos, o teto para a compra de imóvel em capitais do país chegou a R$ 130 mil reais. Mas o corretor de imóveis e usuário do Redimob,
Givaldo Ferreira, afirma que com o aquecimento do mercado, acaba se tornando inviável encontrar imóveis que atendam essa faixa de preço. Estão faltando produtos com essas características no mercado e os disponíveis são totalmente vendidos. Seriam necessários mais imóveis para atender a população, mas onde encontrar com esse preço?, indaga Ferreira.
O corretor de imóveis e usuário do Redimob,
Antenor Carlos Leal, também trabalha em São Paulo e já chegou a vender 18 unidades de imóveis que fazem parte do programa. Ele afirma que atualmente, terrenos compatíveis com o preço são localizados em regiões da periferia, como Zona Leste. Até nesses locais, há dificuldade de achar terrenos. Se oferece proximidade com outras regiões, a valorização é grande, e pode chegar a preços que ficam acima do valor estipulado, ressalta.
Preço ideal
Mas qual o preço considerado ideal para uma capital como São Paulo? O corretor de imóveis Antonio Carlos Roque de Abreu acredita que o ideal seria um teto de R$ 180 mil. Atualmente eu trabalho com imóveis a partir de R$ 200 mil e nesse patamar, já está complicado de achar um imóvel com boa localização. O que dirá um valor menor que esse?, comenta.
Abreu aponta que atualmente o problema não é apenas o valor baixo. Os imóveis novos, de uma forma geral estão caros, apesar das facilidades que as construtoras oferecem na hora da compra. Embora ainda precise de alguns ajustes, acho a ideia do programa boa em oferecer essa possibilidade para as famílias de baixa renda, explica.
Profissionais que atuam em cidades de menor porte, como Balneário Camboriú (SC) também encontram dificuldades. Por isso, a corretora de imóveis Luciana Riciardi, acha que o programa deixa a desejar. Para atender no município, o preço mínimo deveria ser de R$ 150 mil. Não adianta estipular um preço em que não se enquadre na realidade,comenta.
Novo teto aprovado
No dia 02 de fevereiro, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) decidiu elevar o preço máximo dos imóveis enquadrados no programa "Minha Casa, Minha Vida". O teto para imóveis localizados nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal passou de R$ 130 mil para R$ 170 mil, segundo a assessoria do Ministério do Trabalho e Emprego, após reunião do Conselho, em Brasília.
Nas demais capitais, o valor máximo do imóvel dentro do programa foi elevado de R$ 100 mil para R$ 150 mil. Para municípios com população a partir de 250 mil habitantes ou integrantes de regiões metropolitanas, o valor máximo passará de R$ 80 mil para R$ 130 mil. Será que este mesmo problema continuará?
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O valor do programa Minha Casa, Minha Vida condiz com a realidade do mercado nacional?