O crédito para habitação no Amazonas deve chegar a R$ 1 bilhão este ano, o que representa um valor dez vezes maior que o aplicado há apenas dois anos. A projeção é da Caixa Econômica, que responde por 85% do crédito habitacional no Estado. Para economistas, o valor recorde não surpreende.
De acordo com a superintendente regional da Caixa, Noemia Jacob, "o banco tem por financiar, até o final do ano", R$ 690 milhões em habitação, tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica. Parte deste valor está relacionada a 7 mil unidades dentro da faixa de renda de zero a três salários mínimos no programa Minha Casa, Minha Vida.

Até o mês passado, o banco já havia financiado R$ 471,5 milhões. O valor, que é 222% maior que os R$ 146,3 milhões dos sete primeiros meses de 2009, reflete o aquecimento e o potencial de crescimento da construção civil na capital amazonense. "Manaus hoje é um canteiro de obras", frisou.
Na avaliação do presidente do Sindicato da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon/AM), Eduardo Lopes, a projeção para o crédito habitacional é positiva, mas deve vir acompanhada de outros indutores do setor. "É preciso, por exemplo, melhorar a questão da burocracia, que já foi muito pior, inclusive", disse.
Ainda de acordo com Eduardo Lopes, o crédito ainda tem muito a crescer no mercado local. "O valor aparentemente alto ainda é muito pequeno se comparado a outros países", lembrou.
Na avaliação do economista e professor do departamento de Economia e Análise da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rodemarck Castelo Branco, a expansão do crédito não surpreende e é um processo natural da estabilidade econômica. "A possibilidade de financiar um imóvel no longo prazo era impensável antes da estabilidade, quando a inflação era altíssima", disse.
Minha Casa, Minha Vida
Considerado um dos indutores do avanço do crédito habitacional, o programa Minha Casa, Minha Vida já teve 9.547 unidades habitacionais contratadas desde a criação do programa, em abril de 2009. Estão em análise outras 11.454, a maioria (61%) na faixa de renda de zero a três salários mínimos.
No Amazonas, a Caixa já atingiu 57% da meta destinada a esta última faixa de renda. Para a faixa que vai até dez salários, por outro lado, ainda faltam 65% da meta.